O reino fascinante dos símbolosLe royaume fascinant des symbolesThe fascinating kingdom of symbols

Para mostrar como a pintora encontrou a dimensão efetivamente simbólica da pintura é preciso, antes, dar esclarecimentos detalhados sobre essa palavra. Na Grécia antiga, o symbolon era uma medalha ou tabuleta de argila partida em duas metades recortadas irregularmente, mas que se encaixavam perfeitamente. Era usada como reconhecimento, por exemplo, de um contrato financeiro ou de uma dívida entre duas pessoas. Às vezes, se deixava uma metade do symbolon com uma criança que só seria procurada anos depois – e o encaixe das duas metades permitia reconhecê-la como a pessoa buscada. Estrangeiros que chegavam à Grécia traziam às vezes a metade de um symbolon e assim podiam ser comprovadamente reconhecidos como aqueles que de fato eram esperados. A palavra symbolon é união de duas outras: bolon é um verbo, que significa “lançar” (dele surgiram palavras como bólide ou bola); syn quer dizer “ao mesmo tempo”. A palavra refere-se ao objeto em duas metades, lançadas ao mesmo tempo, que permitiam reconhecer um contrato, uma pessoa, uma dívida, uma paternidade.

Com o tempo, as teorias de comunicação apropriaram-se dessa ideia e símbolo passou a ser a junção de um significante e de um significado. Por exemplo: a palavra mesa (significante verbal ou lingüístico) designa o objeto mesa (significado). Um triângulo com um olho no centro (significante em forma de imagem, que reúne uma figura geométrica, abstrata e um elemento do corpo humano, concreto) é um símbolo para a ideia de “Deus” (significado que remete à ideia da Santíssima Trindade – o triângulo – e também à ideia da onisciência – o olho central, o olho divino que tudo vê).

O que os símbolos possuem de fascinante é que os seus significantes podem remeter a muitos significados, às vezes de modo inesgotável. O símbolo da cruz, por exemplo, além de expressar as relações entre espírito (braço vertical) e matéria (braço horizontal), também pode se referir aos quatro elementos, às quatro estações do ano, ao ser humano de pé e de braços abertos, à forma de uma igreja cristã, aos quatro pontos cardeais que nos orientam no espaço, ou às quatro formas de relação do ser humano com o mundo descritas por Jung: pensamento / emoção / sensação / intuição. Cruz: dois traços no papel. Um simples significante, que se abre para todo um universo de significados.

Quando o ser humano sonha, devaneia em estado de vigília deixando a imaginação voar, quando escreve um poema ou quando pinta um quadro, ele pode produzir símbolos naturalmente. E, na sua riqueza, os símbolos podem ter uma função exploratória do desconhecido, serem reflexos de um pressentimento ou intuição, fazer uma ponte entre razão e emoção (ou entre consciente e inconsciente), para citar apenas algumas das funções do símbolo na vida humana.

É nessa dimensão efetivamente simbólica que algumas das pinturas de Solange Kamenetz podem (e devem) ser apreciadas. Sua obra A pequena queda d’água, por exemplo, que retrata uma mini-cachoeira entre flores, não pode ser vista como mero paisagismo. Consciente ou inconscientemente, a artista ingressou, com este quadro, no reino da linguagem simbólica. A água que brota do centro da tela, justamente por sua posição central, pode se referir a significados como fonte da vida, meio de purificação, emoções fluindo, centro de regeneração (vitória sobre a morte)…

Outra obra eminentemente simbólica é Minha alma, quadro em que a artista figurou uma borboleta tocando na superfície da água, sob os raios de uma lua vermelha. Aqui não há paisagismo, mas sim produção onírica a partir do imaginário poético: uma espécie de sonhar acordado… A borboleta, símbolo de leveza e inconstância numa abordagem superficial, torna-se um significante mais complexo quando pensamos na metamorfose da lagarta que se encerra na crisálida e transforma-se num outro ser, capaz de voar (mistério luxuriante da natureza): neste caso, a borboleta é símbolo de ressurreição. Por analogia, a borboleta é um símbolo da nossa alma imortal. Em grego, a palavra Psyché, significa borboleta e é geralmente entendida como sinônimo de alma (também representa, num sentido mais superficial, a inconstância da nossa mente e dos nossos desejos terrenos). A borboleta simboliza efetivamente a imortalidade da alma, porque, depois de estender as asas, desde o túmulo-crisálida em que estava, depois de uma vida mesquinha e rastejante enquanto lagarta, a borboleta flutua na brisa do dia e transforma-se num dos mais belos e delicados seres da primavera. Psyché é, portanto a alma humana, purificada pelos sofrimentos e infortúnios, preparada para gozar a pura e verdadeira felicidade.

Nesta dimensão, o quadro Minha alma evoca toda uma cadeia de símbolos ligados à feminilidade: água / lua / noite / alma-borboleta / energia em espiral (os círculos que se formam na água a partir do toque delicado de uma gota d’água que se desprende do corpo da borboleta). Uma verdadeira constelação de arquétipos do feminino repousa neste quadro: a lua, regente dos mistérios da mulher, símbolo dos ritmos biológicos, avermelhada de desejo, ilumina os processos de transformação da alma-borboleta…

Em uma pintura como esta, nos deparamos com o arquétipo do eterno feminino, que Goethe nos ensinou ser a atração que guia o desejo do homem em direção à transcendência.

É como Nicolas Berdiaeff[1] (1874-1948) escreveu de forma lapidar: “A mulher terá um grande papel… Ela é mais ligada do que o homem à alma do mundo, às primeiras forças elementares [da natureza] e será através da mulher que o homem se comunicará com elas… As mulheres são predestinadas a ser, como no Evangelho, portadoras de perfumes. Não se trata da mulher emancipada, fatigada e semelhante ao homem, mas do eterno feminino, que terá um grande papel a desempenhar no período futuro da história. Ou, como resumiu o poeta e escritor francês Luis Aragon (1897-1982): “A mulher é o futuro do homem”.

A esta altura, fica no ar, como um perfume sedutor, o desejo de descobrir que caminhos a artista terá percorrido, para chegar a este patamar criativo… Só uma viagem no tempo permite encontrar as respostas, uma viagem ao passado, pois ele é o tempo das causas…

[1] Notável pensador russo, que após uma dedicação inicial à revolução marxista na Rússia, exilou-se em Paris tornando-se um existencialista religioso, deixando um imenso legado de reflexões filosóficas, sobre questões metafísicas e problemas da técnica e da sociedade modernas.

Pour montrer comme le peintre  trouve la dimension effectivement  symbolique de la peinture il faut, plutôt,  donner des clarifications détaillées sur ce mot. En Grèce ancienne, symbolon était une médaille ou une enseigne d’argile partie dans deux moitiés coupées irrégulièrement, mais qu’ils s’encaissaient parfaitement. Il était utilisé comme reconnaissance, par exemple, d’un contrat financier ou d’une dette entre deux personnes. Quelquefois, si laissait une moitié de symbolon avec un enfant qui seulement serait cherché des années ensuite – et la rainure des deux moitiés permettait de la reconnaître comme la personne cherchée.

Des étrangers qui arrivaient en Grèce apportaient quelquefois la moitié d’un symbolon et ils ainsi pouvaient confirmer et être reconnus comme ceux qui effectivement étaient attendus. Le mot symbolon est union de deux autres : bolon est un verbe, lequel il signifie « lancer » (de lui sont apparus des mots comme bólide ou boule) ; syn veut dire « en même temps ». Le mot se rapporte à l’objet dans deux moitiés, lancées en même temps, qui permettaient de reconnaître un contrat, une personne, une dette, une paternité.

Avec le temps, les théories de communication se sont appropriées de cette idée et symbole ont passé être à jonction d’un significatif et d’une signification. Par exemple : le mot table (significatif verbal ou linguistique) désigne à l’objet table (signifié). Un triangle avec un oeil dans le centre (significatif dans forme d’image, qui se réunit une figure géométrique, abstraite et un élément du corps humain, concret) est un symbole pour l’idée de « Dieu » (signifié lequel il envoie à l’idée à  Sainte Trinidad – le triangle – et aussi à l’idée de l’omniscience – de l’oeil central, l’oeil divin que voit tout) .

Ce que les symboles possèdent de fascinant est que leurs significatifs peuvent envoyer à beaucoup à de significations, quelquefois de manière inépuisable. Le symbole de la croix par exemple, outre exprimer les relations entre esprit (bras verticaux) et matière (bras horizontal), aussi peut se rapporter aux quatre éléments, aux quatre saisons de l’année, à l’être humain de pied et de bras ouverts, à la forme d’une église chrétienne, aux quatre points cardinaux qui dans les guident dans l’espace, ou aux quatre formes de relation l’être humain avec le monde décrit par Jung : pensée/émotion/sensation/intuition. Croix : deux traces dans le papier. Un simple significatif, qui s’ouvre pour tout un univers de significations.

Quand l’être humain rêve, est dans état de vigile en laissant imagination à le voler, quand il écrit un poème ou quand il peint un tableau, peut produire des symboles naturellement. Et, dans leur richesse, les symboles peuvent avoir une fonction exploratrice de l’inconnu, être les reflets d’un pressentiment ou d’une intuition, faire un pont entre raison et émotion (ou entre conscient et inconscient), pour citer seulement certaines des fonctions du symbole dans la vie humaine.

C’est dans cette dimension absolument symbolique que certaines des peintures de Solange Kamenetz peuvent (ils et doivent) être appréciées. Son oeuvre La Petite Chute d’Eau, par exemple, qui fait le portrait une petite chute d’eau entre des fleurs, ne peut pas être vue comme simple image d’un paysage. Conscient ou non, l’artiste  est entrée, avec ce tableau, dans le royaume de la langue symbolique. L’eau qui pousse du centre de l’écran, exactement par sa position centrale, peut se rapporter à des significations comme source de la vie, moyen de purification, émotions en coulant, centre de régénération (victoire sur la mort)…

D’autre oeuvre qu’exergue la symbolique est Mon Âme, tableau où à artiste il a figuré un papillon en touchant dans la surface de l’eau, sous les rayons d’une lune rouge. Il n’y a ici pas image de paysage, mais production onirique à partir de l’imaginaire poétique : une espèce de rêver réveillé… Le papillon, le symbole de légèreté et le manque de constance dans un abordage superficiel, se rend le significatif plus complexe quand nous pensons dans la métamorphose de la chenille qui se ferme dans la chrysalide et se transforme dans un autre être, capable de voler (mystère luxuriant de la nature) : dans ce cas, le papillon est symbole de résurrection. Par analogie, le papillon est un symbole de notre âme immortelle. En Grec, le mot Psyché, signifie papillon et en règle générale est considéré comme synonyme d’âme (aussi il représente, dans un sens plus superficiel, l’absence de constance de notre esprit et de nos désirs terrains). Le papillon symbolise efficacement l’immortalité de l’âme, parce que, après il élargira les ailes, depuis la coque -   crisálide où il était, après une vie mesquine et rampante tant que chenille, le papillon flotte dans la brise du jour et se transforme dans un les plus beaux et délicats être du printemps. Psyché est, donc, l’âme humaine, la purifiée par les souffrances et les malheurs, préparés pour jouir le pur et vrai bonheur. Dans cette dimension, le tableau Mon Âme évoque toute une chaîne de symboles liés à la féminité : eau/lune/nuit/âme – papillon/énergie dans spirale (les cercles qui se forment dans l’eau à partir du contact délicat d’une goutte d’eau qui se desserre du corps du papillon). Une vraie constellation d’arqué – types du féminin repose dans ce tableau : la lune, régent des mystères de la femme, symbole des rythmes biologiques, rougie de désir, illumine les processus de transformation de l’âme -papillon… Dans une peinture comme celle-ci, dans nous les rencontrons avec l’arqué- type de l’éternel féminin, que Goethe dans les a enseignés être l’attraction qui guide le désir de l’homme dans direction à la transcendance. C’est comme Nicolas Berdiaef[1] (1874-1948) a écrit de forme lapidaire : « La femme aura un grand papier… Elle plus est liée de ce que l’homme à l’âme du monde, à premières forces élémentaires [de la nature] et sera à travers la femme que l’homme se communiquera avec elles… Les femmes sont prédestinées à être, comme dans l’Évangile, les porteurs de parfums. Il ne s’agit pas de la femme émancipée, fatiguée et semblable l’homme, mais de l’éternel féminin, lequel aura un grand rôle à jouer dans la période future de l’histoire. Ou, comme il a résumé le poète et l’auteur français Luis Aragon (1897-1982) : « La femme est l’avenir de l’homme ».

À cette hauteur, il reste dans l’air, comme un parfum séduisant, le désir de découvrir que des chemins à artiste aura couverte pour arriver à cette plate-forme créative… Seulement un voyage dans le temps permet de trouver les réponses, un voyage au passé, donc il est le temps des causes…

[1] Notable pensant russe, qui après un dévouement initial à la révolution marxiste en Russie, s’est exilé à Paris en se rendant une existence religieuse, en laissant des immenses legs de réflexions philosophiques, sur des questions métaphysiques et des problèmes de la technique et de la société moderne.

In order to show how the painter has found the effectively symbolic dimension of painting, we need, first of all, to give detailed explanations about this word. In Old Greece, symbols were medals or clay plates, divided into two irregular but matching halves. It was used as a document of deed for financial deal or a debt between two people. Sometimes, a half of the medal was inherited and the descendent could claim the debt years later using the perfect match as a proof. (Nowadays, young lovers use the same symbols as a dedication to each other.) The words origins are syn = together, and bolon = thrown.

Over the years, the symbol was adopted to link a significant and signified. For example: the word like “table” would be significant, and its designof it the signified. A triangle with an eye in the center (significant in the shape of image, which gathers the geometric and abstract figure and an element of the human body, concrete) is a symbol for the idea of GOD(signified that associates with the Holy Trinity- the triangle – and also to the idea of omniscience= the central eye, the divine eye which sees all).

What  fascinates in the symbols are the meanings which can come to many significances. The symbol of the cross, for example, beyond he symbol of the cross, besides expressing the relation between spirit ( vertical arm) and matter(horizontal arm), can also refer to the four elements, the four seasons of the year, the human being standing with open arms, as the Christian Church,  or the four cardinal points which lead us in space, or the four ways the human being deals with the world. According to Jung these would be though, emotion, feeling, and intuition . Cross: two lines in the paper. A simple significant which opens to the entire universe of signified.

Poets and artists use symbols as part of their expressions, and those symbols help to expand the deeper meaning of a poem or a painting.

The richness of the symbols have an exploratory function of the unknown, expresses intuition or premonition, bridge reason and emotion, or mediate the conscience and subconscious. Because of such symbolisms dimension many of Solange Kamenetz`s paintings gain significant extra dimensions. For instance, THE LITTLE WATERFALL  cannot be regarded as mere landscape.
Consciously or subconsciously, the artist with this painting entered the arena of symbolic language. The water which springs from the center of the painting, can infer the significance of fountain of life, of purification, outpouring emotions, center, of regeneration, or even victory upon death.

Another painting full of symbols is MY SOUL, in which the artist has portrayed a butterfly touching the water surface, under the rays of a red moon. There is no landscape, but oniric  production, taken from the poetic imaginary, like dreaming awakened.

The butterfly, symbol of lightness and inconstance  becomes  a more complex significant when we think of the metamorphoses of the worm  turning into a spectacular butterfly, a symbol of resurrection, the immortal soul as , since she spreads her wings, since the tombe crisalide in which it was, after an insignificant life as a worm, the butterfly floots in the breeze of the day and changes itself into one of the most beautiful beings of spring like the common caterpillar freed from her chrysalis transforming itself into one of the most beautiful creatures of the spring and flutters away in the warm breeze.

Just as the psyche, the human soul, purified by suffering, misfortunes, and restrained is finally let free to enjoy true happiness. This is the essence of MY SOUL of the unchained femininity: the moonlit night, the swirling water, and the drop of dew falling from the freed butterfly. The red moon represents the women’s universe, the deep desires, biological rhythms, illuminates the butterfly-like transformation of the soul. It is the painter’s intention to capture the image of Goethe’s idea men’s desire for transcendental harmony.

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