A pintura como laboratório sensorialLa peinture comme un laboratoire sensorielThe art of painting as sensorial laboratory
Sem deixar de ser realista, a pintora Solange Kamenetz revela em seus quadros alguns princípios básicos do Expressionismo. O primeiro deles é o realce da subjetividade da artista, pois ela não deseja apenas re-produzir a paisagem, os elementos do mundo. Sua intenção é a de re-criar o mundo objetivo, através de uma visão lírica, poética – e não apenas representá-lo da mesma forma que é visto. Para este gênero de ação, já existe a fotografia, que nenhuma pintura conseguirá sobrepujar em matéria de cópia do modelo. Sem se opor à objetividade da imagem, Solange valoriza as forças subjetivas da expressão pictórica.
A paisagem – a floresta, a vegetação, os coloridos florais – é um de seus temas preferidos. Se no desenho, na representação figurativa de suas telas, ela se aproxima mais do Impressionismo (a captura de um instante poético, que então é congelado no tempo), nas cores de seus quadros ela é decididamente expressionista. Porque em suas telas as tonalidades cromáticas refletem mais o universo afetivo da artista do que a captação mimética das nuances de cor da paisagem. Como toda pintora assumidamente expressiva, Solange trabalha com a cor-emoção, dinamizada pelo contraste intenso entre os tons, estratégia que a artista prefere, ao invés de fazer gradações suaves, passagens de uma tonalidade à outra. Neste horizonte, a paisagem pintada torna-se poema ótico, expressão de lirismo subjetivo, mensagem visual emocionada.
Nesse processo criativo, Solange se delicia em compor os jogos visuais inerentes à pintura, como, por exemplo, retratar elementos figurativos na contraluz – como acontece no quadro Solidão, em que a silhueta negra de uma árvore se contrapõe às variações de luminosidade do sol poente. Outra obra interessante, nesse sentido, é A vida como a vida, na qual o céu se divide em tons escuros (preto, roxo, violeta) e luminosos (amarelos, alaranjado e vermelho), assim como o solo, enquanto no centro do quadro (linha do horizonte) a artista pintou o recorte das silhuetas sombrias de muitas árvores. Este jogo luminoso também acontece num quadro que é a variante em azul do anteriormente mencionado: O ar azul [triste] da vida.
Uma obra das mais instigantes, do ponto de vista da construção da imagem através das cores, é Escapada. Nesse quadro, em que a pintora articulou imagens de árvores na contraluz, as copas e troncos apresentam pinceladas de cores brancas que as iluminam também pela perspectiva frontal. Assim a artista constrói um momento mágico de conciliação de energias luminosas que se opõem.
Outras obras, em que o jogo ótico da contraluz é representado pela artista, referem-se a paisagens africanas. A tela intitulada Girafa e girafona é uma delas. As duas esbeltas figuras de animais são desenhadas como silhuetas negras, assim com o tronco e as copas das árvores que lhes servem de alimento. Ao fundo, os tons de amarelo, alaranjado e vermelho nos contam da magia da paisagem eternamente solar da África. Uma tela intrinsecamente quente, calorosa como um coração tropical. Sonhei com a África é outra obra que nos oferta magia semelhante, pois nela se vê, ao centro, a silhueta negra de uma árvore, contrastando com os tons fogosos (amarelo, laranja, vermelho), que nos transportam, através do imaginário, para dentro de uma savana africana.
Especialmente dedicada ao paisagismo, a pintora também se esmera nas possibilidades da pincelada sobre a superfície da tela: ora construindo a composição através da fusão das tintas, em gradações tonais, ora arquitetando flores que brotam em relevo da superfície do quadro. A tela Tranquilidade é um exemplo da primeira forma de pincelar. Árvores e flores envolvem uma ponte sobre as águas, e as tonalidades foram trabalhadas em processo de fusão das tintas, recurso que cria uma atmosfera de paz, atraindo o observador para dentro da obra, em estado de repouso da alma, de meditação sobre as belezas e mistérios da Mãe Natureza. Já no quadro Árvores em alegoria, Solange realça um canteiro de flores amarelas, no primeiro plano da tela, carregando a obra de tinta, criando verdadeiros relevos que magnetizam o olhar do observador. Essas flores amarelas são matéria encantada, signos plásticos do arrebatamento interno da artista, bem ao estilo expressionista.
Um quadro como A floresta das fadas indica que Solange reconhece uma dimensão mística, uma dimensão da natureza invisível aos olhos profanos ou excessivamente adultos. É interessante observar que a artista se compraz em anexar frases poéticas a cada um de seus quadros e no caso deste, em particular, ela escreveu: “Um sonho de criança, em um adulto – encontrar a floresta onde se escondem as fadas. Cores e brilhos tônicos como a passagem rápida da vida de criança à vida de adulto”.
Assim a pintora nos ensina que toda floresta é como um santuário em estado natural. É verdade que os templos religiosos se originam em lugares mágicos ou sagrados da natureza. As pedras se tornaram altares, as árvores se tornaram colunas, os tetos dos templos em abóbadas reproduzem a cúpula celeste cheia de estrelas. As pias batismais evocam as águas cristalinas das fontes e regatos, onde se praticavam ritos de purificação.
O elemento árvore, em particular, tema presente em muitas pinturas desta artista, pode também ser considerado um símbolo da vida, um laço, uma ponte intermediária entre a terra onde estão mergulhadas as raízes e o céu, onde as copas e suas incontáveis folhas figuram as inumeráveis estrelas celestes.
Exercitando um olhar ora poético, ora místico, ora sonhador, sobre a paisagem, Solange Kamenetz terminou encontrando outra dimensão da comunicação artística, que ultrapassa a realidade objetiva: a linguagem simbólica.
Sans laisser d’être réaliste, l’artiste Solange Kamenetz se révèle dans ses tableaux quelques principes basiques de l’Expressionnisme. Le premier c’est mettre en exergue de la subjectivité de l’artiste, parce qu’elle ne désire pas que faire la reproduction du paysage, les éléments du monde. Son intention est de re-faire un monde objective, a travers d’une vision lyrique, poétique – et pas seulement le représenté de la même forme que celui ci est vu. Pour ce genre d’action, il existe déjà la photographie, qu’aucune peinture réussira ultra passer en matière de copie d’un modèle. Sans opposition à l’objectivité de l’image, Solange met en valeur les forces subjectives de l’expression imagée.
Le paysage – la forêt, la végétation, les colories floral – est un des ses thèmes préfères. Se dans le dessin, dans la représentation figurative des ses toiles, elle s’approche plus de l’impressionnisme ( la capture de un instant poétique, que donc est figé dans le temps), dans les couleurs des ses tableaux, elle est décidément expressionniste. Parce que dans leurs écrans les tonalités chromatiques reflètent plus l’univers affectif de l’artiste dont la captation mimétique des nuances de couleur du paysage. Comme tout peintre absolument expressif, Solange travaille avec la couler – émotion, dynamisée par le contraste intense entre les tons, stratégie laquelle à artiste il préfère, à l’inverse faire des gradations douces, passages d’une tonalité à l’autre. Dans cet horizon, le paysage peint se rend poème optique, expression de lyrisme subjectif, message visuel ému.
Dans ce procès créatif, Solange se délecte dans la composition des jeux visuels inhérents à la peinture, comme par exemple, exalter les éléments figuratifs dans le contre-jour – comme arrive dans les tableaux Solitude, dans le quel la silhouette noire d’un arbre s’oppose aux variations de la luminosité du soleil couchant. D’autre oeuvre intéressante, dans ce sens, est la Vie comme la Vie, dans laquelle le ciel se divise dans des tons foncés (noir, violet, violet) et lumineux (jaunes, orange et rouge), ainsi que le sol, tant que dans le centre du tableau (ligne de l’horizon) à artiste il a peint le découpage des silhouettes interlopes de beaucoup d’arbres. Ce jeu lumineux arrive aussi dans un tableau qui est la variante dans bleu de précédemment mentionnée : L’air Bleu [triste] de la Vie.
Une oeuvre de plus pousse à l’instigation, du point de vue de la construction de l’image à travers les couleurs, est Escapade. Dans ce tableau, où le peintre a articulé des images d’arbres dans le contre-jour, les offices et les troncs présentent des coups de pinceau de couleurs blanches qui les illuminent aussi par la perspective frontale. Ainsi à artiste il construit un moment magique de conciliation d’énergies lumineuses qui s’opposent.
D’autres oeuvres, où le jeu optique du contre-jour est représenté par l’artiste, se rapportent à des paysages africains. La toile intitulée Girafe et Girafon est une d’elles. Les deux belles images fines figures d’animaux sont dessinées comme des silhouettes noires, ainsi avec le tronc et les offices des arbres qui leur servent d’aliment. Au fond, les tons de jaune, orange et rouge dans les comptent de la magie du paysage éternellement ressemeler de l’Afrique. Un écran intrinsèquement chaud, chaleureux comme un coeur tropical.
Le tableau J’ai rêvé d’Afrique nous l’offre la magie semblable, donc dans elle il se voit, au centre, la silhouette noire d’un arbre, en contrastant avec les tons vivants (jaune, orange, rouge), que nous transportons, à travers l’imaginaire, pour à l’intérieur d’une savane africaine.
Spécialement dévouée à la peinture des paysages, le peintre aussi se perfectionne dans les possibilités du coup de pinceau sur la surface de la toile : néanmoins en construisant la composition à travers la fusion des encres, dans des gradations tonales, par fois en construisant des fleurs qui poussent dans relief de la surface de la toile. La Toile Tranquillité est un exemple de la première forme de coup de pinceau. Arbres et fleurs contournent un pont sur les eaux, et les tonalités ont été travaillées dans processus de fusion des encres, ressource que crée une atmosphère de paix, en attirant l’observateur pour à l’intérieur de l’oeuvre, dans état de repos de l’âme, de méditation sur les beautés et les mystères de la Mère Nature.
Déjà dans le tableau La Vie en Couleurs, Solange met en exergue un coin de fleurs jaunes, dans premier plan de la toile, en chargeant l’oeuvre d’encre, en créant vrais reliefs qui magnétisent le regard de l’observateur. Ces fleurs jaunes sont matière enchantée, signes plastiques du ravissement interne de l’artiste, bien au style expressionniste.
Un tableau comme La Forêt des Fées indique que Solange reconnaît une dimension mystique, une dimension de la nature invisible aux yeux profanes ou excessivement adultes. C’est intéressant d’observer qu’à artiste si permet de joindre en annexe des phrases poétiques à chacun de leurs tableaux et dans le cas de celui-ci, en particulier, elle a écrit : « Un rêve d’enfant, dans un adulte – trouver la forêt où se cachent les fées. Couleurs et luminosités toniques comme le passage rapide de la vie d’enfant à la vie d’adulte ».
Ainsi le peintre nous apprend que toute forêt est comme un sanctuaire dans état naturel. C’est vrai que les temples religieux ont ses racines dans des lieux magiques ou sacrés de la nature. Les roches deviennent des autels, les arbres deviennent des colonnes, les plafonds des temples reproduisent la coupole céleste pleine d’étoiles. Les éviers baptismaux évoquent les eaux cristallines des sources et les fleuves, où se pratiquaient des rites de purification. L’élément arbre, en particulier, sujet présent dans beaucoup de peintures de cette artiste, peut aussi être considéré un symbole de la vie, un lacet, un pont intermédiaire entre la terre où sont plongés les racines et le ciel, où les offices et leurs innombrables feuilles figurent les innombrables étoiles célestes.
En exerçant un regarder néanmoins poétique, parfois mystique, parfois rêveur, sur le paysage, Solange Kamenetz a fini en trouvant autre dimension de la communication artistique, qui dépasse la réalité objective : la langue symbolique.
Although being realist, Solange Kamenetz reveals, in her paintings, some basic principles of expressionism. First of them is the brightness of the artist`s subjectivity, as she not only reproduces the inland scenery, but the world elements, as well. Her aim is to recreate the objective world through a lyric and poetic insight, not just representing the same way as it is seen. For the gender of action, there is already the photography, which no painting is capable of surpassing, as a copy of the model. Without opposing to the objectiveness of the image, Solange values the subjective forces of the pictorial expression.
The landscape- the forest, the vegetation, the colourful flowers, is one of her favorite subjects. If, in her drawings, in the figurative representation of her paintings, she gets nearer to the impressionism ( the capture of a poetic moment, which is then frozen in time) in the colours of her paintings, she is definitively expressionist. We can see the chromatic tones reflecting the artist`s affective universe rather than the mimetic captivity of the nuances of colours of the landscape. Similar to every expressionist artist, Solange works with the color- emotion, dynamized by the intense contrast among the tones, strategy which she prefers, rather than light graduation, passages from one tone to another. In the horizon, the painted lanscape becomes an optical poem, expression of subjective lyrism, a visual and emotional message.
In this creative process, Solange immersed herself in composing the visual effects, like portraying light elements as shown in the SOLITUDE, where the silhouette of the dark tree in front of the light background against the luminous sunset. Similarly, in the LIFE AS LIFE IS, in which the sky is divided into dark tones (black, purple, violet) and bright ones (yellow, orange and red), as well as the ground. On the horizontal the artist has painteddark silhouettes of trees. This luminous effect also occurs in an other painting where variants of blues represent theair of life
One of the most suggestive painting, e relies on the construction ofcolors, is the ESCAPE. In this painting, in which the painter has articulated images of trees in , background light, the trunks and foliage presented by strokes of brush where the foreground is brightened as well. In such way, the artist present a contradiction which resolves itself.
Other examples where the artist used optical illusions are the AFRICAN LANDSCAPES. In the GIRAFFE AND THE LITTLE GIRAFFE are one of then. Two svelte figures are painted in dark silhouettes. At the bottom, the tones of yellow, orange and red express the magic of eternal solar African magic. It is an intrinsically hot painting, reflecting the warm tropical heat. The painting I HAVE DREAMED WITH AFRICA, expresses similar magic. In the center, the dark silhouetted tree contrasts with the fulgurate tones (yellow, orange, red) which depict the African savanna.
The TRANQUILITY is the depiction of pianissimo of nature as the colors gradually blend into each other. The bridge flunked by trees and flowers beckons the viewer to peace and meditation. In the foreground, the yellow flowers lights up the painting, yet they do not interfere with the smoothing effect of the natural beauty. These yellow flowers are enchanted, plastic signs of theecstasy of the painter, which is particular to the expressionist style.
A painting, such as the FOREST OF FAIRIES, indicates that Solange reveals the mythical dimensions of nature, freely available to children’s imagination, but stolen from them as they mature into adulthood. It is interesting to observe that the artist finds delight encasing poetry in her paintings In the CHILD DREAM, in an adult finds a forest with hidden ferries.Colors and tonal brightness represent the quick passage from childhood to the grown up life.
In this way, the painter convince us that every forest is like a sanctuary of emotional wilderness, a of magic and sacred places of nature. The stones became altars, the tree trunks turn into columns, and the rich foliage creates the roof of the temples…
The element tree, in particular, a present theme in many of Solange`s paintings, can also be considered a symbol of life, a link, an intermediary bridge between the earth, where the roots are sunk, and the sky, where we can see the top of the trees and the uncountable we look leaves as well as celestial stars.
When we look around the poetic landscape, we feel that Solange Kamenetz has finally found another dimension in the artistic communication, which surpasses the objective reality – the symbolic language.